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“O Desafio dos Orgânicos na Mídia” em debate na BioBrazil 2017

O bate papo organizado pela AAO e Instituto Kairós atraiu profissionais de comunicação, especialistas e representantes de ONGs. Foto: Heloisa Bio

 

Agroecologia e agricultura orgânico despertam cada vez mais o interesse das pessoas e dos veículos da mídia, seja impressa, televisiva, radiofônica ou digital, mas é fundamental que o profissional de comunicação esteja atualizado e com um rede de contatos de credibilidade.  

Diante da importância dessas forma de produção agrícola,   a Associação de Agricultura Orgânica e o Instituto Kairós promoveram um debate sobre o tema na abertura  da 13ª Bio Brazil Fair 2017, no dia 7/6,  que reuniu profissionais da comunicação, professores, especialistas e representantes de ONGs para refletir sobre o impacto dos orgânicos na mídia, que o  Diário Verde divulga com exclusividade em reportagem da jornalista Heloisa Bio. Confira abaixo.

 

A problemática dos meios de comunicação em traduzir temas de interesse público, abordando a complexa realidade socioambiental atual, é cada vez mais presente na grande mídia. E quando o tema é agroecologia e agricultura orgânica, o conhecimento exato dessa realidade surge como desafio para o profissional de comunicação, que necessita aprofundar informações, diversificar suas fontes e divulgar mensagens dentro de um novo contexto de desenvolvimento.

Com essa provocação, a AAO — Associação de Agricultura Orgânica e o Instituto Kairós organizaram o bate-papo com a mídia “Os desafios do tema orgânicos na mídia”,  durante a abertura da Bio Brazil, no Pavilhão da Bienal, em São Paulo.

O que desperta interesse no público, como enfrentar resistências nas redações, como o movimento orgânico pode melhorar sua comunicação, de que forma trabalhar mensagens educativas e mobilizadoras e difundir boas práticas?

A reflexão sobre essas questões foi feita por lideranças de mídias diversas, para além da grande imprensa, como telenovelas, canais do Youtube, jogos educativos, revistas e portais especializados.

Foto: Heloisa Bio

Sociedade do bem-viver 

“O debate sobre orgânicos é mais amplo que a visão de um nicho de mercado, permeia a alimentação, a saúde, a economia e irá influir na construção de uma sociedade do bem-viver”, lembrou Maluh Barciotte (ao lado), especialista em saúde pública e ex-presidente da AAO .

Boa comunicação 

Segundo Ana Flávia Badue, do Instituto Kairós, o movimento em torno da agricultura orgânica tem se destacado pela capacidade de advocacy — de influência em políticas públicas, mas ainda necessita fortalecer a comunicação com a sociedade.

 

 

Jogos pedagógicos, novela, qualidade de conteúdo na internet, êxito em canal do Youtube e desafios da cobertura jornalística também foram debatidos

Jogos educativos sobre orgânicos

Professor Elson Silva, diretor do Centro da Fapesp que desenvolveu o jogo. Imagem: Heloisa Bio

Como novidades do encontro, foi lançado um inovador jogo de tabuleiro com questões sobre alimentos orgânicos, o “Ludomix Orgânicos”, dentro do projeto “Ludo Educativo” do Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais da Fapesp.

A iniciativa já  conta com mais de 40 opões de jogos educativos gratuitos na Internet (http://portal.ludoeducativo.com.br).

O  “Ludo Educativo” criou jogos pedagógicos  porque é muito mais divertido aprender jogando, onde as pessoas são mais produtivas e comprometidas quando fazem algo que as diverte e elas têm interesse em aprender.

Um “ensino ninja” é a meta a curto prazo do projeto, ou seja, conseguir que a criança aprenda sem notar que está praticando matérias curriculares (pré-concebidas como “chatas”) e, além disso, aprender a trabalhar em equipe.

 

Novos encontros

Os jornalistas e profissionais presentes também compuseram um grupo que manterá novos encontros para ativar uma rede de mídias comprometidas em difundir a agroecologia e os orgânicos.

Velho Chico x agronegócio 

A autora de Velho Chico, da Rede Globo, Edmara Barbosa (abaixo), revelou de que forma o tema da agricultura orgânica trouxe novos ares para as telenovelas, ao mesmo tempo em que foi preciso resistir à pressão por publicidade do agronegócio dentro da novela.

“Vimos o quanto o modelo do agronegócio é organizado, mas a ideia de que essa produção alimenta as pessoas é falsa, além de implicar em devastação, quando um rio morre, perdemos junto a cultura, as histórias, as pessoas”, destacou.

Produzir sem devastar e envenenar

Para ela, a solução está em mostrar que é possível produzir de outra forma, com abundância e preservação dos recursos, fazendo da agricultura orgânica um tema de discussão na novela como meio de fortalecer esse modelo.

Agroecologia como marca

“Agora é preciso união, tornando a agroecologia uma marca, que comungue com todas as agriculturas — orgânica, sintrópica, natural — para termos a mesma força. O agro não é pop. Não produz, devasta. Não alimenta, envenena”.

 

Conteúdo de qualidade conquista audiência
 
A escritora e química de formação Conceição Trucom trouxe a experiência do portal Doce Limão, com a média de 15 mil visitantes ao dia, para mostrar como os orgânicos podem conquistar o público da Internet.

Foto: Heloisa Bio

“O conteúdo de qualidade conquista as pessoas quando elas compreendem que consumir orgânicos é uma atitude social”, destaca.

Por trás de uma matéria sobre cenouras, por exemplo, estou falando de alimentação baseada em plantas, de agroecologia, de como se envolver”, ressaltou Conceição, cujo livro “Cadê o leite que estava aqui?” já é campeão de vendas on-line.

 Rede de comunicadores

Para essa informação não ficar restrita a um nicho de pessoas, mas ter voz diante do grande público, reforçou-se a necessidade dos comunicadores trabalharem em rede.

Sucesso do canal “Do Campo à Mesa”

A criadora do canal Do Campo à Mesa, Francine Lima (abaixo), detalhou os fatores do sucesso do tema orgânicos no Youtube, mas o quanto falta investimento econômico neste tipo de mídia.

Foto: Heloisa Bio

“Em 4 anos, conquistamos quase 150 mil seguidores, com a estratégia de chamar atenção por meio do humor e do sarcasmo.

O vídeo ‘Quantos morangos têm no yogurt sabor morango?’ me fez ver que as pessoas nunca tinham parado para pensar sobre isso, que estavam sendo enganadas.

O objetivo, segundo  Francine, é fazê-las identificar o que é nocivo, explicitar as informações e permitir comparações que levem ao conhecimento do alimento de verdade.

“Aos poucos, brinco que consegui formar uma legião de indignados”, salientou.

Revista Vegetarianos e Rádio Brasil Atual  focaram os desafios da abordagem dos orgânicos

O debate foi complementado ainda pelo depoimento do editor da Revista Vegetarianos, Marco Clivat (ao lado), que já possui 11 anos de existência, abordando o tema sob a ótica da saúde e da educação para redução do consumo de industrializados.

Desafios da cobertura jornalística

Por fim, a jornalista Marilu Cabãnas (abaixo), da Rádio Brasil Atual, reforçou os desafios da cobertura jornalística.

Foto: Heloisa Bio

Segundo ela, frente às demandas do noticiário do dia a dia, mesmo em um veículo que tem abraçado a causa dos orgânicos, as dificuldades são as mesmas.

Mais informações: Heloisa Bio – heloisa.bio@aua.org.br

Ana Flavia Badue, do Instituto Kairós, e Marcio Stanziani, da Associação de Agricultura Orgânica foram os organizadores do encontro. Foto: Heloisa Bio